mai, 27 2026
O deputado federal Mário Luís Frias, deputado federal pelo Partido Liberal (PL) mudou a história. Na quinta-feira (14), ele admitiu publicamente que o longa-metragem Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu recursos do empresário Daniel Vorcaro. A confissão veio em meio a uma tempestade perfeita: investigações do Supremo Tribunal Federal e denúncias de negociações milionárias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
Aqui está o detalhe crucial: dias antes, Frias jurava que não havia "um centavo do Master" no projeto. Agora, ele tenta explicar essa contradição com uma distinção jurídica técnica — mas que soa estranha aos ouvidos comuns. Ele alega que o contrato foi firmado com uma empresa chamada Entre, separada legalmente do Banco Master, embora os recursos tenham vindo da esfera de influência de Vorcaro.
A virada nos argumentos sobre o financiamento
A situação ficou ainda mais confusa quando a produtora do filme, a GOUP Entertainment, lançou um comunicado na quarta-feira (13). O texto era categórico: "não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário". Ou seja, enquanto a produtora negava veementemente, Frias já preparava o terreno para a admissão parcial.
Na nota divulgada na quinta-feira, Frias escreveu:
"Quando afirmei anteriormente que não há 'um centavo do Master' no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico... O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta".
Ele insiste que não há mudança no mérito financeiro, apenas na "origem formal". Para muitos observadores políticos, essa nuance parece uma tentativa desesperada de isolar o Banco Master das acusações de lavagem de dinheiro e corrupção que pairam sobre Vorcaro. Mas será que funciona? Especialistas em direito eleitoral e penal costumam olhar para a substância da operação, não apenas para a forma contratual.
O contexto explosivo: US$ 24 milhões e o STF
O recuo de Frias não aconteceu no vácuo. Ele veio logo após uma reportagem bombástica do Intercept Brasil, publicada na quarta-feira (13). A matéria revelou negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para um repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para financiar o filme. A denúncia se baseia em áudios, mensagens e comprovantes bancários.
Além disso, a pressão judicial está intensa. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tentou intimar Mário Frias no dia 13 de maio, em Brasília. O oficial de justiça encontrou apenas um zelador, que informou que o deputado não morava ali há dois anos. Coincidência? Provavelmente não.
Frias estava fora do país. De acordo com a Agência Brasil, o deputado viajou para o Bahrein (entre 12 e 18 de maio) e depois para os Estados Unidos (19 a 21 de maio). A Câmara dos Deputados confirmou que as autorizações para essas missões oficiais ainda estavam em análise quando ele partiu. Em outras palavras, ele viajou sem permissão final da Casa.
Viajando enquanto é investigado?
As viagens geraram polêmica adicional. Frias afirmou em entrevista ao SBT News que esteve no Bahrein para "propor investimentos no Brasil" e nos EUA para "prospecção de investimento em segurança pública". No entanto, versões divergem sobre as datas exatas e a natureza dessas missões. Alguns relatórios indicam que os custos foram pagos pela embaixada do Bahrein, não pela Câmara.
Enquanto isso, o STF investiga supostas irregularidades nas emendas parlamentares de Frias destinadas ao Instituto Conhecer Brasil. Essa ONG tem como sócia Karina Ferreira da Gama, dona da GOUP Entertainment e produtora executiva de Dark Horse. A conexão é direta: o mesmo círculo que produz o filme sobre Bolsonaro recebe verbas públicas sob escrutínio judicial.
Impacto político e próximos passos
A combinação de financiamento obscuro, viagens internacionais durante investigações e ligações com figuras controversas como Vorcaro cria um cenário delicado. Analistas apontam que esse caso pode ser fatal para as aspirações presidenciais de Flávio Bolsonaro. Se confirmado que houve uso de recursos ilícitos ou lavagem de dinheiro para financiar propaganda política disfarçada de arte, as consequências legais seriam severas.
Frias prometeu retornar ao Brasil e prestar esclarecimentos "até pessoalmente" ao ministro Flávio Dino. Mas a confiança já foi abalada. A narrativa de inocência construída ao longo dos meses desmorona à medida que novas provas surgem.
Perguntas Frequentes
O que Mário Frias admitiu exatamente sobre o financiamento de Dark Horse?
Frias admitiu que o filme recebeu recursos de Daniel Vorcaro, mas argumenta que o contrato foi feito com uma empresa distinta (Entre), não diretamente com o Banco Master. Ele tenta separar juridicamente a origem formal dos fundos da pessoa física de Vorcaro.
Qual o papel da GOUP Entertainment nessa polêmica?
A GOUP Entertainment é a produtora oficial do filme. Ela emitiu um comunicado negando categoricamente qualquer investimento de Daniel Vorcaro ou empresas ligadas a ele, criando uma contradição direta com a posterior admissão de Mário Frias.
Por que Mário Frias viajou para o exterior recentemente?
Frias viajou para o Bahrein e EUA entre 12 e 21 de maio. A Câmara dos Deputados informou que as autorizações para essas missões oficiais ainda estavam em análise quando ele partiu, sugerindo que ele viajou sem aprovação final. Ele alega propósitos de negócios e investimentos.
Qual a conexão entre o filme e o STF?
O ministro Flávio Dino investiga irregularidades nas emendas de Frias vinculadas ao Instituto Conhecer Brasil, cuja sócia é dona da produtora do filme. Além disso, há tentativas de intimação de Frias para depor sobre essas questões, coincidindo com suas viagens internacionais.
Quanto dinheiro estaria envolvido segundo o Intercept Brasil?
Segundo apurações do Intercept Brasil, negociou-se um repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) de Daniel Vorcaro para financiar o projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro, baseado em documentos e áudios obtidos pela reportagem.