jul, 1 2026
Na madrugada de quarta-feira, 24 de junho de 2026, o termômetro em Bom Jardim da Serra marcou impressionantes -9,3 °C. Não foi apenas um dia frio; foi o menor registro do país naquele ano até então. A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, conhecida como SDC/SC, manteve vigilância constante, emitindo boletins que alertavam para o perigo silencioso do frio intenso.
O cenário era contraditório: céu azul, sol brilhando, mas ar cortante. Enquanto o Litoral Norte via nebulosidade passageira, os planaltos sofriam com geadas severas. A população catarinense acordou para uma realidade onde o verão parecia distante, mesmo sob a luz do meio-dia.
A Ilusão do Sol e a Realidade do Gelo
Às 12h30, o primeiro boletim oficial descrevia um estado em choque térmico. Nas regiões do Meio-Oeste e Planaltos, as mínimas oscilaram entre -7 °C e -3 °C. Mesmo no Grande Oeste e Planalto Norte, onde o sol tentava aquecer, os termômetros mal chegavam a 6 °C ou 10 °C. O Planalto Sul, tradicionalmente mais rigoroso, ficou ainda pior, com picos negativos persistentes.
"Não há risco para ocorrências meteorológicas", afirmava o texto inicial, referindo-se a chuvas ou ventanias. Mas havia outro risco, invisível e letal: a hipotermia. À medida que o dia avançava, a narrativa mudou. O boletim das 18h08 corrigiu o tom: o risco agora era "moderado a alto" para efeitos na saúde pública.
A sensação térmica engana. Com o sol se pondo, a temperatura despencou rapidamente. As máximas diárias não ultrapassaram 17 °C em todo o estado. Para quem está acostumado com invernos amenos, isso parece suportável. Para idosos, crianças e pessoas em situação de rua, é uma emergência médica.
Vigilância Institucional e Alertas Climáticos
Por trás dos números, há uma máquina complexa funcionando. O boletim de previsão de cinco dias, número 175/2026, assinado pelo meteorologista Augusto Pereira, identificou a causa raiz: uma área de alta pressão associada a uma massa de ar frio e seco estacionada sobre o Sul.
Essa condição não é isolada. Em 18 de maio de 2026, o governador Jorginho Mello assinou decreto estabelecendo "estado de alerta climático" por 180 dias. A justificativa? A influência crescente do fenômeno El Niño. Embora o pico do evento seja previsto para dezembro de 2026 e janeiro de 2027, os impactos preliminares já se fazem sentir com extremos térmicos.
A SDC/SC utiliza tecnologia de ponta para monitorar essas mudanças. Radares meteorológicos e imagens do satélite GOES-19 são analisados diariamente. Nos dias seguintes ao frio recorde, outros especialistas como Francine Sacco e Eduardo Cho-Luck assumiram a responsabilidade de emitir alertas para temporais, indicando uma transição climática rápida típica da região.
Impacto Local: De Itajaí a Rio do Sul
Enquanto os planaltos congelavam, o litoral enfrentava desafios diferentes. Em Itajaí, a Defesa Civil municipal mantinha status de "MONITORAMENTO". Estações locais registravam umidade relativa de 97% e temperaturas em torno de 14,2 °C. Apesar do frio menos intenso que nas montanhas, o risco de alagamentos pontuais devido a rajadas de vento e chuvas curtas permanecia elevado.
Já em Rio do Sul, os dados hidrológicos mostravam estabilidade. Registros às 7h e 17h do dia 24 indicaram níveis de rios classificados como "Bom", com variações mínimas. Isso demonstra como o frio intenso nem sempre se traduz imediatamente em desastres hídricos, mas exige atenção contínua à qualidade da água e ao gelo nos leitos dos rios.
A comunicação direta com municípios como Araquari reforçou a mensagem: julho e agosto prometem chuvas acima da média. O inverno de 2026 em Santa Catarina será bipolar – dias de sol gelado alternando com tempestades violentas.
O Que Esperar nos Próximos Dias?
A tendência indica que o frio recorde pode ser seguido por instabilidade. Entre 29 de junho e 1º de julho, a previsão aponta para retorno de frentes frias ativas. Temporais com chuva intensa são esperados, especialmente no litoral e vales.
Especialistas sugerem que a população se prepare para essa volatilidade. Ter roupas adequadas para o frio extremo é tão crucial quanto evitar áreas sujeitas a enchentes durante as chuvas. O "estado de alerta" decretado pelo governo estadual não é burocracia; é uma ferramenta vital de sobrevivência.
Perguntas Frequentes
Qual foi a temperatura mínima registrada em Santa Catarina em 24 de junho?
A menor temperatura foi de -9,3 °C, registrada em Bom Jardim da Serra. Outras regiões de altitude, como o Planalto Sul e o Meio-Oeste, tiveram mínimas variando entre -7 °C e -3 °C, marcando o frio mais intenso do ano até aquele momento.
Quem deve ter mais cuidado com o frio intenso?
A Defesa Civil alerta especificamente para grupos vulneráveis: idosos, crianças, animais de estimação e pessoas em situação de rua. O risco moderado a alto refere-se principalmente a casos de hipotermia e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
O que é o "estado de alerta climático" decretado pelo governador?
É uma medida institucional assinada por Jorginho Mello em 18 de maio de 2026, válida por 180 dias. Ela visa preparar o estado para os impactos do El Niño, que prevê chuvas intensas e eventos climáticos extremos, garantindo recursos e agilidade na resposta da Defesa Civil.
Haverá chuva forte após este período de frio?
Sim. Os boletins indicam uma transição para instabilidade a partir de 29 de junho. Meteorologistas preveem temporais com chuva intensa entre o final de junho e início de julho, especialmente no litoral e vales, exigindo atenção contra alagamentos.